Rosto torto, fraqueza ou dormência de um lado, fala alterada, perda súbita de visão ou equilíbrio, ou dor de cabeça explosiva podem indicar AVC. Mesmo que o sintoma melhore, ligue imediatamente para o SAMU 192.
O que é AVC?
AVC é a sigla para acidente vascular cerebral, conhecido popularmente como derrame. Ele acontece quando uma parte do cérebro deixa de receber sangue adequadamente ou quando um vaso se rompe e provoca sangramento. Sem oxigênio, as células cerebrais podem ser lesionadas em poucos minutos.
O AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria, é o tipo mais frequente. O AVC hemorrágico ocorre quando há ruptura de um vaso. Os sintomas podem ser parecidos, mas os tratamentos são diferentes; por isso, não é possível decidir o que fazer em casa sem avaliação e exame de imagem.
Todo AVC é uma emergência. Quanto mais cedo a circulação puder ser restabelecida ou o sangramento controlado, maior a possibilidade de sobreviver e recuperar funções.
Sinais de AVC: use o teste SAMU
Os sinais geralmente começam de repente. Uma forma simples de lembrar o que observar é a palavra SAMU: peça para a pessoa sorrir, abraçar, cantar uma música ou repetir uma frase e, se houver alteração, trate como urgente:
- S — Sorria: um lado do rosto fica caído, o sorriso sai torto ou há dormência facial;
- A — Abrace: ao levantar os dois braços, um deles cai, não sobe ou parece mais fraco;
- M — Música ou mensagem: a fala fica enrolada, confusa, difícil de entender ou a pessoa não compreende uma frase simples;
- U — Urgente: diante de qualquer alteração, ligue imediatamente para o SAMU 192.
Outros sinais que também importam
Nem todo AVC aparece apenas no teste do rosto, braço e fala. Alterações súbitas do equilíbrio e da visão também podem ocorrer, especialmente em AVCs que atingem a parte posterior do cérebro:
- Perda de força ou sensibilidade em uma perna ou em todo um lado do corpo;
- Perda de visão, visão dupla ou embaçamento que começa subitamente;
- Desequilíbrio, tontura intensa, dificuldade para caminhar ou falta de coordenação de início súbito;
- Confusão, dificuldade para entender, engolir ou realizar uma tarefa habitual;
- Dor de cabeça explosiva e muito intensa, sem causa conhecida, sobretudo com vômito, rigidez de nuca, desmaio ou alteração neurológica.
O que fazer imediatamente
Ligue para o SAMU 192 ao primeiro sinal, mesmo que não tenha certeza. Informe o endereço, os sintomas e a hora em que começaram. Se ninguém viu o início, diga quando a pessoa foi vista bem pela última vez — por exemplo, antes de dormir. Essa informação influencia as opções de tratamento.
Não espere a melhora, não marque consulta para outro dia e não deixe a pessoa dirigir. O atendimento pré-hospitalar pode orientar os primeiros cuidados e encaminhar a uma unidade preparada. Cada minuto perdido pode significar mais lesão cerebral:
- Mantenha a pessoa em local seguro, confortável e sob observação;
- Afrouxe roupas apertadas e siga as instruções do médico regulador do SAMU;
- Separe documentos e uma lista de medicamentos, sobretudo anticoagulantes, e informe doenças conhecidas;
- Se houver vômito ou redução da consciência e a pessoa estiver respirando, coloque-a de lado com cuidado;
- Se ela parar de respirar normalmente, avise o 192 e inicie as manobras orientadas pelo atendente.
O que não fazer diante da suspeita
Não ofereça comida, água ou comprimidos: o AVC pode prejudicar a deglutição e causar engasgo. Não dê AAS ou outro anticoagulante por conta própria. Se o problema for um sangramento, esses medicamentos podem agravar a situação.
Também não tente baixar a pressão rapidamente com dose extra de remédio. A pressão pode subir durante um AVC e a decisão de tratá-la depende do tipo de evento e do plano hospitalar. Não massageie, não fure dedos e não use receitas caseiras.
E se os sintomas passarem?
Sintomas iguais aos do AVC que desaparecem em minutos ou horas podem indicar um ataque isquêmico transitório, o AIT. A melhora não torna a situação segura: o AIT pode anteceder um AVC e exige avaliação urgente no mesmo dia.
Ligue para o SAMU 192 se os sintomas ainda estiverem presentes ou tiverem acabado de acontecer. Anote o horário e descreva exatamente o que mudou, mesmo que a pessoa pareça normal quando chegar ao serviço.
Como o diagnóstico é feito no hospital
A equipe avalia sinais vitais, glicemia, exame neurológico e horário de início. A tomografia de crânio é usada com frequência na avaliação inicial para procurar sangramento e orientar o tratamento. Angiotomografia, ressonância e outros exames podem ser necessários conforme o caso.
Exames de sangue, eletrocardiograma e monitorização ajudam a identificar condições associadas e causas possíveis, como fibrilação atrial. Uma glicose muito baixa pode imitar sinais de AVC e também precisa de correção rápida.
Por que o tempo muda o tratamento
Em pessoas selecionadas com AVC isquêmico, medicamentos que dissolvem o coágulo podem ser usados dentro de uma janela de até 4,5 horas. Em algumas obstruções de grandes artérias, a trombectomia mecânica — retirada do coágulo por cateter — pode ser indicada mais tarde, em casos selecionados por exames de imagem, inclusive até 24 horas.
Esses prazos não servem para esperar em casa. A pessoa precisa chegar antes, realizar exames e passar pela avaliação de contraindicações. Diretrizes atuais também ampliaram possibilidades em situações específicas, mas somente uma equipe especializada pode definir benefício e segurança.
No AVC hemorrágico, o tratamento pode incluir controle cuidadoso da pressão, reversão de anticoagulantes, neurocirurgia ou procedimentos endovasculares. Dar medicamento por conta própria antes da tomografia é perigoso.
Fatores de risco e prevenção
A hipertensão é um dos principais fatores modificáveis. Fibrilação atrial, diabetes, colesterol alto, tabagismo, sedentarismo, obesidade, consumo excessivo de álcool e apneia do sono também aumentam o risco. Idade e histórico familiar não podem ser mudados, mas ajudam a planejar prevenção.
A prevenção inclui acompanhar a pressão, tratar doenças já diagnosticadas, não fumar, manter alimentação equilibrada, atividade física compatível e uso correto dos medicamentos prescritos. Quem teve AVC ou AIT precisa de investigação da causa e prevenção secundária individualizada.
Recuperação e reabilitação
As sequelas dependem da área atingida e do tempo até o tratamento. Podem envolver força, fala, deglutição, visão, memória, humor e autonomia. A reabilitação pode reunir fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, enfermagem, psicologia e acompanhamento médico.
A recuperação pode continuar por meses. Família e cuidadores devem receber orientação sobre alimentação segura, prevenção de quedas, medicamentos e sinais de um novo AVC. Qualquer nova alteração súbita exige novamente o SAMU 192.
Aprenda a reconhecer o AVC
Vídeo educativo indicado pela Rede Brasil AVC para reconhecer sinais de alerta. O conteúdo complementa o artigo e não substitui atendimento de emergência.
Fonte: Rede Brasil AVCPerguntas frequentes
Dúvidas comuns sobre o tema, respondidas de forma simples e responsável.
AVC e derrame são a mesma coisa?
Sim. Derrame é o nome popular do acidente vascular cerebral. Ele pode ser isquêmico, por obstrução, ou hemorrágico, por sangramento.
Só pessoas idosas têm AVC?
Não. O risco aumenta com a idade, mas o AVC pode ocorrer em adultos jovens, crianças e gestantes. Sintomas súbitos devem ser tratados como emergência em qualquer idade.
A pessoa precisa ter todos os sinais do teste SAMU?
Não. Um único sinal súbito — como rosto torto, braço fraco ou fala alterada — já é motivo para ligar imediatamente para o SAMU 192.
Posso levar a pessoa de carro?
O ideal é acionar o SAMU 192. A equipe pode orientar, iniciar o atendimento e escolher o destino adequado. A pessoa com suspeita de AVC nunca deve dirigir.
Devo dar AAS na suspeita de AVC?
Não por conta própria. O AAS pode ser usado em situações específicas depois que o sangramento foi excluído, mas pode piorar um AVC hemorrágico.
Se os sintomas melhoraram, ainda é emergência?
Sim. Pode ter sido um AIT, que aumenta o risco de AVC. A melhora não elimina a necessidade de avaliação urgente.
Pressão muito alta confirma AVC?
Não. A pressão pode subir por várias causas e um AVC também pode ocorrer sem valor muito alto. O diagnóstico depende dos sintomas, exame e imagem.
Tomografia normal descarta todo AVC?
Uma tomografia inicial pode não mostrar imediatamente certas áreas de isquemia. Ela é essencial para procurar sangramento, mas a equipe interpreta o exame junto com o quadro e pode solicitar outros testes.
AVC tem tratamento?
Sim. Existem tratamentos agudos e reabilitação, mas a escolha depende do tipo, do tempo, da imagem e da condição da pessoa. Chegar rápido aumenta as opções.
Como reduzir o risco de outro AVC?
É necessário investigar a causa e controlar fatores como pressão alta, fibrilação atrial, diabetes, colesterol e tabagismo. O plano de medicamentos e hábitos é individualizado.
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Referências bibliográficas e fontes consultadas
Este conteúdo foi elaborado com base nas publicações abaixo. Os links direcionam para as páginas, diretrizes ou documentos originais.
- Ministério da SaúdePágina
AVC — sinais, diagnóstico, tratamento e prevenção
Acessar fonte original - American Heart Association/American Stroke AssociationDiretriz
2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke
Acessar fonte original - American Stroke AssociationPágina
Stroke Symptoms and Warning Signs — B.E. F.A.S.T.
Acessar fonte original - Rede Brasil AVCPágina
Sinais de alerta e materiais de conscientização sobre AVC
Acessar fonte original - Academia Brasileira de NeurologiaPágina
Trombectomia mecânica no AVC isquêmico
Acessar fonte original
Referências verificadas em: 24/08/2026.


