Sinal de alerta:

Dor pélvica súbita e muito intensa, desmaio, febre, vômitos persistentes, sangramento intenso ou teste de gravidez positivo com dor ou sangramento exigem atendimento urgente.

Em resumo

Cólica menstrual, ou dismenorreia, é dor no baixo ventre antes ou durante a menstruação. Na forma primária, não há outra doença pélvica e as contrações do útero estimuladas por prostaglandinas explicam grande parte dos sintomas.

Quando a dor começa depois de anos de ciclos tranquilos, piora progressivamente, impede atividades ou vem com sangramento anormal, dor na relação, para evacuar ou urinar, é preciso investigar causas secundárias como endometriose, adenomiose, miomas ou infecção pélvica:

  • Dor que atrapalha escola, trabalho, sono ou rotina merece avaliação;
  • Um ultrassom normal não exclui todas as causas, especialmente endometriose superficial;
  • Calor local e atividade física adaptada podem ajudar algumas pessoas;
  • Medicamentos devem considerar gravidez, alergias, rins, estômago e risco de trombose.

O que acontece durante a cólica

Durante a menstruação, o útero contrai para eliminar o endométrio. Prostaglandinas participam dessas contrações e da inflamação. Em algumas pessoas, níveis e sensibilidade maiores produzem dor intensa, náusea, diarreia, dor de cabeça, tontura ou cansaço.

Na dismenorreia primária, a dor costuma começar nos primeiros anos após a primeira menstruação, quando os ciclos passam a ovular. Geralmente aparece pouco antes ou no início do fluxo, piora no primeiro dia e melhora em dois ou três dias.

Ter cólica não significa que o útero esteja “sujo” ou que o sangue esteja preso. A intensidade varia, mas sofrimento incapacitante não deve ser ignorado como obrigação de quem menstrua.

Dismenorreia primária e secundária

Dismenorreia primária é a cólica sem doença pélvica identificável. Ela costuma seguir um padrão previsível desde a adolescência, concentrado no início do fluxo, e pode ocorrer junto com náusea, fezes amolecidas ou dor lombar.

Dismenorreia secundária é causada por outra condição. Endometriose e adenomiose são causas frequentes; miomas, pólipos, doença inflamatória pélvica, malformações obstrutivas e, em algumas situações, dispositivo intrauterino de cobre também podem estar envolvidos.

As duas formas não podem ser separadas apenas pela intensidade. Idade de início, mudança do padrão, sintomas associados, exame e resposta ao cuidado ajudam na diferenciação.

Sinais de que é preciso investigar

Procure avaliação quando a dor provoca faltas recorrentes, desmaio, vômitos, necessidade frequente de pronto atendimento ou não melhora com medidas orientadas. Piora progressiva ou início de cólica forte após os 25 anos também merece atenção.

Dor fora da menstruação, durante ou depois da relação sexual, ao evacuar ou urinar, além de sangramento entre ciclos, fluxo muito intenso, corrimento com odor, febre ou dificuldade para engravidar sugerem investigação de outras causas.

Na adolescência, dor que persiste apesar do tratamento inicial bem conduzido, alteração genital, dificuldade para usar absorvente interno quando desejado ou ausência de fluxo com cólica cíclica pode indicar endometriose ou obstrução e exige avaliação especializada.

Como se preparar para a consulta

Anote quando a dor começa, quantos dias dura, intensidade de zero a dez, localização, irradiação, quantidade de sangramento, coágulos, sintomas intestinais ou urinários e impacto nas atividades. Registre também o que foi usado, em qual momento e qual foi o efeito.

Informe possibilidade de gravidez, métodos contraceptivos, desejo de engravidar, medicamentos, alergias, histórico de trombose, doença renal, gastrite, úlcera e familiares com endometriose ou cólicas incapacitantes.

Aplicativos e calendários podem ajudar, mas não precisam coletar dados íntimos além do necessário. Um registro simples em papel já permite enxergar padrões de dois ou três ciclos.

Como é feita a avaliação

A história clínica muitas vezes sugere dismenorreia primária. Exame abdominal e, quando indicado, exame ginecológico ajudam a identificar dor localizada, massa, infecção ou alterações do útero; qualquer exame íntimo exige explicação, consentimento e privacidade.

Teste de gravidez é essencial quando houver possibilidade de gestação e dor ou sangramento. Hemograma e ferritina podem ser pedidos se o fluxo for intenso. Testes para IST, urina ou outros exames dependem dos sintomas.

Ultrassom pélvico ou transvaginal é usado quando há sinais de causa secundária, exame alterado ou falta de resposta. Ressonância e ultrassom especializado são reservados para situações específicas. Imagem normal não exclui endometriose superficial.

O que pode aliviar

Bolsa térmica morna no baixo ventre, banho quente, descanso breve, sono regular e movimento leve podem reduzir desconforto. Exercício frequente ajuda algumas pessoas ao longo dos ciclos, mas não deve ser forçado durante dor incapacitante.

Anti-inflamatórios reduzem a produção de prostaglandinas e são usados com frequência quando não há contraindicação. O momento de início influencia o efeito, mas produto, dose e duração devem ser orientados, especialmente em quem tem doença renal, gastrite, úlcera, anticoagulante, alergia ou suspeita de gravidez.

Métodos hormonais podem reduzir ovulação, fluxo e dor. A escolha considera necessidade contraceptiva, enxaqueca com aura, trombose, pressão, tabagismo, amamentação e planos reprodutivos. Não inicie hormônio apenas com base neste texto.

Quando o tratamento inicial não funciona

Antes de concluir que nada funciona, a equipe verifica se o diagnóstico é provável, se o medicamento foi usado no momento adequado, se houve dose suficiente e se existiam efeitos adversos ou barreiras de acesso. Isso deve ser feito sem culpabilizar a pessoa.

Persistência da dor por alguns ciclos apesar de cuidado bem conduzido aumenta a suspeita de causa secundária. Endometriose pode ser tratada com base no quadro clínico em muitos casos, sem exigir cirurgia imediata, conforme decisão compartilhada.

Dor crônica também pode envolver assoalho pélvico, intestino, bexiga, sono e sensibilização do sistema nervoso. Ginecologia, fisioterapia pélvica, cuidado da dor e saúde mental podem atuar de forma complementar quando necessário.

O que evitar

Evite combinar vários anti-inflamatórios ou aumentar doses por conta própria. Misturar medicamentos da mesma classe aumenta risco de sangramento, lesão renal, pressão alta e problemas no estômago sem garantir maior alívio.

Chás, óleos essenciais e suplementos não corrigem endometriose, adenomiose ou miomas. Produtos “naturais” também podem interagir com anticoncepcionais, anticoagulantes e outros medicamentos.

Não normalize desmaios, vômitos repetidos, perda de dias de aula ou trabalho, nem aceite que a dor é apenas emocional. Estresse pode amplificar sintomas, mas não elimina a necessidade de investigar causas físicas.

Quando procurar atendimento

Marque consulta se a cólica limita sua rotina, piora com o tempo, começou depois de anos sem dor, vem com fluxo intenso, dor fora do ciclo, dor na relação, ao evacuar ou urinar, ou não melhora com medidas orientadas.

Vá à urgência se a dor for súbita e muito intensa, houver desmaio, febre, vômitos persistentes, palidez ou fraqueza importante, sangramento intenso ou teste de gravidez positivo acompanhado de dor ou sangramento. Gravidez ectópica, torção ovariana, infecção e outras emergências podem se parecer com cólica.

Conteúdo em vídeo

Cólica menstrual

Vídeo do Portal Drauzio Varella sobre cólica menstrual e quando a dor merece atenção. O conteúdo não substitui consulta.

Fonte: Portal Drauzio Varella
Respostas diretas

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre o tema, respondidas de forma simples e responsável.

Cólica menstrual forte é normal?

Desconforto pode ocorrer, mas dor que impede atividades, causa desmaio ou exige atendimento recorrente deve ser investigada.

Qual é a diferença entre dismenorreia primária e secundária?

A primária ocorre sem outra doença pélvica identificável. A secundária decorre de condições como endometriose, adenomiose, miomas ou infecção.

Cólica intensa sempre é endometriose?

Não. Endometriose é uma causa importante, mas adenomiose, miomas, infecção e outras condições também podem causar dor.

Ultrassom normal exclui endometriose?

Não. Lesões superficiais podem não aparecer. Sintomas e evolução continuam importantes mesmo com imagem normal.

Bolsa de água quente ajuda?

Calor local pode aliviar a contração e a dor em algumas pessoas. Use temperatura confortável e proteja a pele para evitar queimadura.

Posso tomar dois anti-inflamatórios juntos?

Não é recomendado sem orientação. Combinar medicamentos da mesma classe aumenta riscos e não garante benefício adicional.

Anticoncepcional trata cólica?

Métodos hormonais podem reduzir a dor, mas não são adequados para todas as pessoas. Riscos, desejo de gravidez e necessidade contraceptiva orientam a escolha.

Cólica melhora depois da gravidez?

A dismenorreia primária pode melhorar em algumas pessoas, mas gravidez não é tratamento. Causas como endometriose podem persistir ou voltar.

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Referências bibliográficas e fontes consultadas

Este conteúdo foi elaborado com base nas publicações abaixo. Os links direcionam para as páginas, diretrizes ou documentos originais.

  1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia — FEBRASGO

    Primeira menstruação e saúde ginecológica: o que toda adolescente precisa saber

    Acessar fonte original
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  2. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia — FEBRASGO

    Sentir dor abdominal intensa durante o período menstrual não é normal

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    Dysmenorrhea: Painful Periods

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    Period pain

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    Página
  5. Ministério da Saúde

    PCDT da Endometriose — Portaria Conjunta nº 54/2026

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Referências verificadas em: 26/08/2026.