Sinal de alerta:

Febre em bebê com menos de 3 meses, dificuldade para respirar, sonolência incomum, rigidez de nuca, convulsão, manchas que não somem à pressão, desidratação ou piora rápida exigem atendimento imediato.

O que é febre?

Febre é a elevação regulada da temperatura do corpo, geralmente como resposta a uma infecção. Ela é um sinal de que o sistema imunológico está reagindo, e não uma doença isolada. Resfriados e outras viroses são causas frequentes, mas infecções bacterianas, vacinas, inflamações e outras condições também podem provocar aumento da temperatura.

O valor que define febre varia um pouco conforme o local e o método de medição. Em casa, a medida axilar é prática e comum no Brasil. De modo geral, temperatura axilar a partir de aproximadamente 37,8 °C é considerada febre, mas idade e estado geral são mais importantes do que discutir décimos de grau.

Sensação de calor ao tocar a pele não substitui o termômetro. Calor ambiental, choro, banho quente, exercício e excesso de roupas podem elevar temporariamente a medida sem representar febre verdadeira.

Como medir a temperatura corretamente

Prefira termômetro digital e siga as instruções do fabricante. Na axila, seque a pele, encoste a ponta no centro e mantenha o braço junto ao corpo até o aviso. Espere alguns minutos depois de banho, atividade intensa ou retirada de muitas roupas.

Registre horário, valor, local da medição e como a criança estava. Termômetros de testa e ouvido podem ser úteis, mas técnica, idade e ambiente interferem. Fitas na testa e aplicativos de celular não são confiáveis para decidir conduta.

Não use termômetro de mercúrio por risco de quebra e intoxicação. A medida retal não deve ser improvisada em casa por risco de lesão e contaminação.

O estado geral vale mais do que a altura da febre

Uma criança que interage, aceita líquidos, urina e melhora entre os picos costuma ter menor risco do que outra muito prostrada, difícil de acordar ou com respiração alterada, mesmo que o termômetro mostre um valor menor.

Observe a criança depois de controlar o desconforto, e não apenas se a temperatura caiu. Antitérmico pode reduzir febre sem tratar a causa; por outro lado, não baixar completamente não prova que a infecção seja grave:

  • Respiração: está rápida, com esforço, gemência ou lábios arroxeados;
  • Hidratação: mama ou bebe, tem saliva e continua urinando;
  • Comportamento: reconhece os cuidadores, interage e desperta normalmente;
  • Pele: há manchas roxas ou vermelhas que não desaparecem à pressão;
  • Dor: existe rigidez de nuca, dor intensa ou choro inconsolável;
  • Evolução: está melhorando, piorando ou mantendo febre por vários dias.

Idade muda a urgência

Bebês pequenos podem ter infecção importante com poucos sinais. Temperatura de 38 °C ou mais em criança com menos de 3 meses exige avaliação imediata. A Caderneta da Criança brasileira considera febre a partir de 37,5 °C um sinal de perigo em menores de 2 meses; nessa faixa, não espere em casa para ver se melhora.

Entre 3 e 6 meses, febre de 39 °C ou mais e qualquer alteração do estado geral justificam avaliação rápida. Em crianças maiores, o contexto, os sintomas associados e a duração orientam mais do que um número isolado.

Prematuridade, imunossupressão, câncer, doença falciforme, cardiopatia importante, uso de cateter ou outra condição crônica pode reduzir o limiar para procurar atendimento.

Cuidados seguros em casa

Se a criança tem mais de 3 meses, mantém bom estado geral e não apresenta sinais de alerta, ofereça líquidos com frequência, mantenha roupas leves e deixe o ambiente confortável. Lactentes devem continuar mamando. Comida pode ser oferecida sem forçar; hidratação é a prioridade durante a fase aguda.

O objetivo do antitérmico é aliviar desconforto, não normalizar o termômetro a qualquer custo. Use apenas medicamento previamente orientado para aquela criança, na dose calculada pelo peso e com intervalo correto. Confira concentração, seringa dosadora e princípio ativo para evitar duplicidade.

Banho morno pode ser confortável, mas banho frio, gelo e compressas com álcool provocam tremores, sofrimento e risco. Não agasalhe para “suar a febre”.

Medicamentos: erros comuns que precisam ser evitados

Não alterne ou combine antitérmicos de rotina. Essa prática aumenta erros de dose e intoxicações sem benefício consistente. Não use antibiótico guardado em casa: a maioria das febres agudas na infância é viral, e o medicamento errado pode causar efeitos adversos e atrasar o diagnóstico.

Ácido acetilsalicílico não deve ser usado como antitérmico em crianças por risco de síndrome de Reye. Ibuprofeno exige cautela em desidratação, doença renal e algumas faixas etárias; dipirona e paracetamol também podem intoxicar quando a dose ou concentração é confundida.

Se houver dúvida sobre peso, concentração ou quantidade, não improvise. Procure orientação profissional ou um serviço de saúde.

Febre causa convulsão ou dano cerebral?

A febre provocada por infecção, por si só, raramente atinge temperatura capaz de lesar o cérebro. O medo de que qualquer febre cause dano permanente alimenta a chamada febrefobia e pode levar ao uso excessivo de medicamentos.

Convulsão febril pode ocorrer em algumas crianças entre cerca de 6 meses e 5 anos, geralmente no início da doença. Antitérmicos melhoram conforto, mas não previnem de forma confiável uma convulsão. Durante uma crise, coloque a criança de lado em local seguro, afaste objetos, não contenha os movimentos e não coloque nada na boca.

Primeira convulsão, duração superior a 5 minutos, repetição, dificuldade para respirar ou recuperação incompleta exige atendimento de emergência.

Quando a duração da febre preocupa

Muitas viroses melhoram em poucos dias, mas não existe uma regra de que seja seguro esperar sempre 48 ou 72 horas. Uma criança com sinal de alerta deve ser avaliada no mesmo momento, independentemente do tempo de febre.

Febre por 5 dias ou mais precisa de avaliação, mesmo que a criança pareça razoavelmente bem. Também procure consulta se a febre retorna após melhora, se há dor localizada persistente, tosse com piora, ardor ao urinar, ouvido doloroso ou manchas pelo corpo.

Em áreas com dengue, o período em que a febre começa a baixar pode coincidir com surgimento de sinais de alarme. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento, sonolência ou irritabilidade e extremidades frias exigem atendimento rápido.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento imediatamente

Procure urgência diante de dificuldade para respirar, lábios arroxeados, sonolência incomum, dificuldade para acordar, confusão, rigidez de nuca, convulsão, manchas roxas ou vermelhas que não somem à pressão, dor intensa, choro inconsolável ou piora rápida.

Sinais de desidratação incluem boca muito seca, ausência de lágrimas, olhos fundos, pouca urina, recusa persistente de líquidos e prostração. Bebê que não consegue mamar ou criança que vomita tudo precisa ser avaliada.

Qualquer febre em bebê muito pequeno, especialmente com menos de 3 meses, deve receber avaliação imediata. Confie também na percepção de quem cuida: se a criança parece muito diferente do habitual, procure ajuda.

Conteúdo em vídeo

Atualização sobre febre em crianças

Especialistas discutem conceitos atuais e a chamada febrefobia. O vídeo complementa o artigo e não substitui avaliação da criança.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria — SBP
Respostas diretas

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre o tema, respondidas de forma simples e responsável.

A partir de quanto é febre na axila?

Em geral, considera-se febre axilar a partir de aproximadamente 37,8 °C, mas método, idade e estado geral importam. Em menores de 3 meses, temperatura de 38 °C ou mais exige avaliação imediata; a Caderneta orienta atenção já a partir de 37,5 °C em menores de 2 meses.

Preciso baixar toda febre?

Não. O objetivo é aliviar desconforto e manter hidratação. Uma criança confortável e ativa não precisa ter o termômetro normalizado a qualquer custo.

Febre alta causa dano cerebral?

A febre comum por infecção raramente causa lesão cerebral. Temperaturas muito elevadas por hipertermia, como insolação, são outra situação e constituem emergência.

Posso alternar dois antitérmicos?

Não de rotina. Alternar aumenta risco de erro e intoxicação. Use apenas o medicamento e a dose por peso previamente orientados para aquela criança.

Banho frio ajuda?

Não. Pode provocar tremor e desconforto. Se a criança gostar, banho morno pode ser usado apenas para conforto, sem substituir hidratação ou avaliação.

Quando dar antibiótico?

Somente quando uma infecção bacteriana é diagnosticada ou fortemente suspeita por profissional. Antibiótico não trata viroses e não deve ser usado por conta própria.

Dentes nascendo causam febre alta?

A dentição pode coincidir com irritabilidade e pequena elevação de temperatura, mas não deve explicar febre alta ou criança prostrada. Procure outra causa.

Se a febre não baixar com remédio é grave?

A resposta ao antitérmico não distingue sozinha doença leve de grave. Observe respiração, hidratação, comportamento e sinais de alerta.

Convulsão febril pode ser evitada com antitérmico?

Não de forma confiável. Se ocorrer, proteja a criança de lado, não coloque nada na boca, marque o tempo e procure atendimento, sobretudo na primeira crise ou se durar mais de 5 minutos.

Febre por quantos dias precisa de consulta?

Febre por 5 dias ou mais deve ser avaliada. Antes disso, procure atendimento a qualquer momento se houver sinal de alerta, piora ou criança muito diferente do habitual.

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Referências bibliográficas e fontes consultadas

Este conteúdo foi elaborado com base nas publicações abaixo. Os links direcionam para as páginas, diretrizes ou documentos originais.

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria — SBP

    Abordagem da febre aguda em pediatria e reflexões sobre as recomendações da OMS

    Abrir PDF original
    PDF
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria — SBP

    Manejo da febre aguda

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    Diretriz
  3. Brasil — Ministério da Saúde

    Caderneta da Criança — sinais de perigo e acompanhamento

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    Página
  4. Hospital Israelita Albert Einstein

    Emergências pediátricas: quando é necessário ir ao hospital

    Acessar fonte original
    Página
  5. National Institute for Health and Care Excellence — NICE

    Fever in under 5s: assessment and initial management — NG143

    Acessar fonte original
    Diretriz

Referências verificadas em: 24/08/2026.