Sinal de alerta:

Lesão perto do olho, alteração visual, bolhas no ouvido, fraqueza facial, lesões espalhadas, confusão, rigidez de nuca, fraqueza em membros ou febre alta exigem avaliação urgente. Procure cedo porque o antiviral tem maior benefício nas primeiras 72 horas.

O que é herpes-zóster

Herpes-zóster, popularmente chamado de cobreiro, é a reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Depois da infecção inicial, o vírus permanece adormecido nos nervos e pode voltar a se multiplicar anos mais tarde.

Não é necessário lembrar de ter tido catapora para desenvolver zóster. O risco aumenta com a idade e com redução das defesas por doença ou tratamento, mas pessoas mais jovens e saudáveis também podem apresentar o quadro.

Como começa e como são as lesões

Dor, ardência, formigamento, coceira ou sensibilidade podem surgir antes da pele mudar. Depois aparecem manchas e pequenas bolhas agrupadas, geralmente em uma faixa que acompanha um nervo e fica em apenas um lado do tronco ou da face.

As bolhas costumam secar e formar crostas. Dor sem lesão pode ter muitas causas, e lesões semelhantes podem ocorrer em herpes simples, dermatite e outras doenças; a distribuição e o exame ajudam no diagnóstico.

Olhos, ouvidos e outros sinais de risco

Lesões na testa, pálpebra ou ponta do nariz, olho vermelho, dor ocular, sensibilidade à luz ou alteração da visão podem indicar comprometimento ocular. Esse quadro ameaça a visão e precisa de avaliação no mesmo dia.

Bolhas no ouvido, dor intensa, perda de audição, vertigem ou fraqueza de um lado do rosto podem ocorrer na síndrome de Ramsay Hunt. Lesões espalhadas, febre alta, confusão ou fraqueza também preocupam, especialmente em imunocomprometidos.

Tratamento precoce

Antivirais podem reduzir duração, intensidade e complicações, com maior benefício quando iniciados cedo, idealmente até 72 horas após o surgimento das lesões. Lesões novas, face acometida, dor importante, idade avançada ou imunossupressão reforçam a necessidade de avaliação rápida.

A escolha e a dose dependem de função renal, gravidade e condições clínicas. Não fure as bolhas nem aplique receitas caseiras. Mantenha a pele limpa e seca, use roupas leves e siga orientação individual para controle da dor.

Neuralgia pós-herpética

A complicação mais frequente é a neuralgia pós-herpética: dor, queimação ou hipersensibilidade que persiste depois que a pele cicatriza. O risco cresce com a idade, dor aguda intensa e lesões extensas.

A dor pode atrapalhar sono, humor e atividades. Existem tratamentos específicos para dor neuropática, escolhidos conforme idade, doenças associadas e outros medicamentos. Analgésicos comuns nem sempre resolvem e automedicação pode causar efeitos adversos.

Transmissão e cuidados com as bolhas

A pessoa com zóster não transmite ‘cobreiro’ diretamente. O líquido das bolhas pode transmitir o vírus a alguém suscetível, causando catapora. O risco termina quando todas as lesões formam crosta.

Cubra as lesões, lave as mãos e evite tocar ou coçar. Até formar crostas, evite contato direto com gestantes sem imunidade conhecida, recém-nascidos, imunocomprometidos e pessoas que nunca tiveram catapora nem foram vacinadas.

Vacina e disponibilidade no Brasil

A vacina recombinante contra herpes-zóster é recomendada pela Sociedade Brasileira de Imunizações para adultos a partir de 50 anos e para pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos, em esquema de duas doses. Pode ser indicada mesmo depois de um episódio, em momento definido com o profissional.

Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde publicou decisão de não incorporar essa vacina ao SUS para idosos com 80 anos ou mais e imunocomprometidos adultos. Portanto, ela não integra a rotina do SUS até esta revisão; sua disponibilidade é principalmente privada. A vacina infantil contra varicela tem outro objetivo e esquema.

Quando procurar atendimento

Procure avaliação assim que surgirem dor e bolhas em faixa, preferencialmente no mesmo dia ou no dia seguinte, porque o antiviral é mais útil cedo. Idosos, gestantes, imunocomprometidos e pessoas com dor intensa não devem aguardar evolução prolongada.

Vá à urgência diante de lesão perto do olho, alteração visual, fraqueza facial, bolhas no ouvido, lesões disseminadas, confusão, rigidez de nuca, fraqueza em membros, febre alta ou piora rápida.

Conteúdo em vídeo

Como o herpes-zóster age no corpo?

Explicação sobre a reativação do vírus e a prevenção. Lesões no rosto, nos olhos ou disseminadas precisam de avaliação rápida.

Fonte: Drauzio Varella
Respostas diretas

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre o tema, respondidas de forma simples e responsável.

Herpes-zóster é o mesmo que herpes genital?

Não. Zóster é reativação do vírus varicela-zóster. Herpes genital costuma ser causado por vírus herpes simples e tem outra dinâmica.

O cobreiro pode dar duas vezes?

Sim. Recorrência é possível, sobretudo com idade avançada ou imunossupressão. Episódios repetidos merecem avaliação do contexto clínico.

Posso furar as bolhas?

Não. Isso aumenta risco de infecção e não acelera a cura. Mantenha a área limpa, seca e coberta conforme orientação.

Herpes-zóster é contagioso?

O contato com o líquido das bolhas pode causar catapora em pessoa suscetível. Depois que todas formam crosta, o risco de transmissão termina.

Quem já teve zóster pode se vacinar?

Pode, conforme avaliação. A SBIm sugere em geral aguardar após o episódio agudo, mas o momento pode ser individualizado para não perder oportunidade.

A vacina está disponível no SUS?

Não na rotina até agosto de 2026. Houve decisão federal de não incorporação para os grupos avaliados; a vacina recombinante permanece principalmente na rede privada.

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Referências bibliográficas e fontes consultadas

Este conteúdo foi elaborado com base nas publicações abaixo. Os links direcionam para as páginas, diretrizes ou documentos originais.

  1. Brasil — Ministério da Saúde

    Herpes (cobreiro): sinais, complicações e tratamento

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    Página
  2. Brasil — Ministério da Saúde

    Tratamento do herpes-zóster

    Acessar fonte original
    Página
  3. Brasil — Conitec

    Relatório de recomendação nº 1.073 — vacina recombinante adjuvada contra herpes-zóster

    Acessar fonte original
    Diretriz
  4. Sociedade Brasileira de Imunizações — SBIm

    Vacina herpes-zóster recombinante inativada

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    Página

Referências verificadas em: 28/08/2026.