Sinal de alerta:

Sangramento após relação, entre menstruações ou após menopausa, corrimento persistente com sangue, dor pélvica contínua ou piora importante exige avaliação clínica sem esperar o próximo exame de rastreamento.

Papanicolau e DNA-HPV não são a mesma coisa

O Papanicolau, ou exame citopatológico, coleta células do colo do útero para procurar alterações precursoras e câncer. O teste DNA-HPV procura material genético de tipos oncogênicos do papilomavírus humano, causa necessária da maioria desses cânceres.

As diretrizes brasileiras de 2025 adotaram o DNA-HPV como teste primário no rastreamento organizado. A implantação é gradual; onde ele ainda não está disponível, a citologia continua seguindo o protocolo local:

  • Rastreamento é para pessoas sem sintomas;
  • DNA-HPV negativo permite intervalo de cinco anos;
  • Resultado positivo não significa câncer.

Quem deve participar do rastreamento

A recomendação brasileira abrange mulheres e homens transgênero com colo do útero, dos 25 aos 64 anos, após início da atividade sexual. Pessoas vacinadas contra HPV também devem participar.

Quem retirou totalmente útero e colo por doença benigna e não teve lesão de alto grau pode não precisar de rastreamento; histórico de lesão, câncer, imunossupressão, HIV ou cirurgia parcial exige orientação específica.

Intervalos no novo modelo

Onde o DNA-HPV é o método primário, um resultado negativo costuma ser repetido em cinco anos. Após os 60 anos, um teste negativo pode encerrar o rastreamento conforme o histórico e as regras da diretriz.

No modelo citológico, o intervalo clássico é anual até dois resultados negativos consecutivos e depois a cada três anos. Não faça os dois exames em excesso: rastreamento muito frequente aumenta falsos positivos e procedimentos sem benefício.

Como é feita a coleta

Com consentimento, a pessoa se posiciona na mesa ginecológica. Um espéculo permite visualizar o colo, e uma escova coleta material. O procedimento dura poucos minutos e pode causar pressão ou cólica leve, mas não deve ser feito com força.

No DNA-HPV, alguns programas podem oferecer autocoleta vaginal em situações específicas para ampliar acesso. Resultado positivo por autocoleta ainda precisa seguir o fluxo definido pelo serviço.

Como se preparar

Quando possível, evite relação sexual, duchas e medicamentos vaginais nas 48 horas anteriores, conforme orientação do serviço. Sangramento menstrual intenso pode dificultar a amostra; não adie se houver sintomas ou recomendação da equipe.

Informe gestação, sangramento, dor, tratamento prévio e dificuldade com exames íntimos. Privacidade, explicação, consentimento e possibilidade de interromper o exame devem ser respeitados.

O que significa resultado alterado

DNA-HPV positivo indica presença de tipo oncogênico, não câncer. Genótipos 16 ou 18 e a citologia reflexa ajudam a definir repetição ou colposcopia. A maioria das infecções desaparece espontaneamente.

Na citologia, alterações como ASC-US, LSIL e HSIL têm riscos e condutas diferentes. Não espere sintomas: lesões precursoras geralmente não causam dor ou sangramento e podem ser tratadas antes de evoluir.

Vacina, preservativo e prevenção

A vacina contra HPV previne os tipos responsáveis pela maior parte dos cânceres e verrugas e é oferecida pelo SUS a grupos definidos. Ela funciona melhor antes da exposição, mas pode ser indicada depois em situações específicas.

Preservativos reduzem, mas não eliminam a transmissão porque o vírus pode estar em áreas não cobertas. Não fumar também reduz o risco de persistência e progressão das lesões.

Quando procurar atendimento

Procure a UBS para confirmar qual teste está disponível e quando repetir. Resultado positivo ou alterado exige seguimento no prazo indicado; perder o acompanhamento é um dos principais riscos do rastreamento.

Busque avaliação sem esperar o preventivo diante de sangramento após relação, entre menstruações ou após menopausa, corrimento persistente com sangue ou odor forte, dor pélvica contínua, perda de peso inexplicada ou piora importante.

Conteúdo em vídeo

Novas diretrizes para o rastreamento do câncer do colo do útero

Especialistas explicam prevenção e evolução do rastreamento. A implantação do DNA-HPV ocorre de forma gradual no SUS.

Fonte: Hospital de Amor, com especialistas do INCA
Respostas diretas

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre o tema, respondidas de forma simples e responsável.

O Papanicolau acabou?

Não de uma vez. O DNA-HPV está substituindo gradualmente a citologia como teste primário; onde ainda não foi implantado, o Papanicolau continua.

DNA-HPV positivo significa câncer?

Não. Indica infecção por tipo oncogênico. Genotipagem, citologia e colposcopia definem o risco e o próximo passo.

Quem tomou vacina ainda precisa fazer rastreamento?

Sim. A vacina protege muito, mas não cobre todos os tipos oncogênicos nem trata infecções anteriores.

Posso fazer menstruada?

Sangramento intenso pode atrapalhar a amostra. Confirme com o serviço, mas sintomas como sangramento anormal não devem ser adiados.

O exame dói?

Pode causar pressão ou cólica leve. Dor importante não é esperada; avise a equipe e peça para interromper se necessário.

Quem não tem mais útero precisa fazer?

Depende de o colo ter sido retirado, do motivo da cirurgia e do histórico de lesões. Leve o relatório cirúrgico para avaliação.

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Referências bibliográficas e fontes consultadas

Este conteúdo foi elaborado com base nas publicações abaixo. Os links direcionam para as páginas, diretrizes ou documentos originais.

  1. Ministério da Saúde

    Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero — DNA-HPV — 2025

    Acessar fonte original
    Diretriz
  2. Instituto Nacional de Câncer — INCA

    Detecção precoce do câncer do colo do útero

    Acessar fonte original
    Página
  3. Ministério da Saúde

    Como funciona o rastreamento do câncer no SUS?

    Acessar fonte original
    Página
  4. Organização Mundial da Saúde — OMS

    WHO guideline for screening and treatment of cervical pre-cancer lesions

    Acessar fonte original
    Diretriz
  5. Ministério da Saúde

    HPV

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    Página

Referências verificadas em: 28/08/2026.