Convulsão, desmaio, confusão intensa ou incapacidade de engolir indicam hipoglicemia grave. Não ofereça alimento ou líquido, não aplique insulina, coloque a pessoa de lado quando possível e ligue para o SAMU 192. Use glucagon apenas se disponível, prescrito e aplicado por alguém treinado.
Em resumo
Hipoglicemia é a queda da glicose abaixo do nível seguro. Em pessoas com diabetes, valor menor que 70 mg/dL é um alerta para agir. Abaixo de 54 mg/dL, o risco é maior. Uma crise grave é aquela em que a pessoa precisa da ajuda de outra, independentemente do número medido.
É mais comum em quem usa insulina ou medicamentos que estimulam a liberação de insulina. Pode surgir após atraso de refeição, exercício não planejado, álcool, erro de dose ou mudança da função renal. Reconhecer e corrigir cedo reduz o risco de confusão, convulsão e perda de consciência:
- Se a pessoa estiver consciente e conseguir engolir, use carboidrato de ação rápida e reavalie em 15 minutos;
- Nunca ofereça comida ou líquido a quem está inconsciente, muito confuso ou não consegue engolir;
- Após qualquer crise, procure entender a causa; episódios repetidos exigem revisão do tratamento;
- Não aplique insulina para tratar glicose baixa.
Sinais e sintomas mais comuns
Os primeiros sinais podem incluir tremor, suor frio, palpitação, fome, ansiedade, formigamento nos lábios, náusea, fraqueza, dor de cabeça, tontura e visão embaçada. Algumas pessoas ficam irritadas ou apresentam mudança incomum de comportamento.
Quando a glicose cai mais, podem surgir dificuldade para raciocinar ou falar, falta de coordenação, sonolência, confusão, convulsão e perda de consciência. Durante o sono, pesadelos, suor intenso e despertar com dor de cabeça podem levantar suspeita.
Quem tem diabetes há muito tempo ou episódios frequentes pode perder os sinais de aviso, situação chamada percepção reduzida da hipoglicemia. O risco de crises graves aumenta e o plano precisa ser revisto rapidamente.
O que significam os níveis
Nível 1 corresponde à glicose abaixo de 70 e igual ou acima de 54 mg/dL. É um alerta clinicamente importante para corrigir e investigar a causa. Nível 2 é abaixo de 54 mg/dL e exige ação imediata.
Nível 3 não depende de um valor específico: é qualquer evento com alteração mental ou física importante que faça a pessoa precisar de ajuda. Convulsão, perda de consciência ou incapacidade de engolir são exemplos de emergência.
Sensores podem mostrar atraso em relação ao sangue, especialmente quando a glicose cai rapidamente. Se os sintomas não combinarem com o sensor, confirme com glicosímetro quando possível, sem atrasar a ajuda em uma situação típica e de risco.
Como agir se a pessoa está consciente
Se a pessoa consegue engolir com segurança, ofereça cerca de 15 gramas de carboidrato de absorção rápida, seguindo o plano orientado pela equipe. Exemplos usuais incluem glicose em comprimidos ou gel conforme o rótulo, aproximadamente 150 mL de refrigerante comum ou suco, ou açúcar dissolvido em água.
Aguarde 15 minutos e meça novamente. Se continuar abaixo de 70 mg/dL ou os sintomas persistirem, repita a correção. Chocolate, biscoito recheado e alimentos muito gordurosos não são a melhor primeira escolha porque a gordura atrasa a absorção.
Depois que a glicose e os sintomas melhorarem, siga o plano individual. Se a próxima refeição estiver distante, pode ser necessário um lanche de ação mais prolongada. Crianças e pessoas com necessidades específicas devem usar a quantidade orientada pela equipe.
O que fazer em uma crise grave
Se houver inconsciência, convulsão, confusão intensa ou dificuldade para engolir, não coloque líquido, açúcar, mel ou alimento na boca. Posicione a pessoa de lado quando possível, proteja-a de quedas e chame ajuda imediatamente.
Glucagon pode ser usado se estiver disponível, tiver sido prescrito e alguém treinado souber aplicá-lo. Mesmo após melhora, a causa precisa ser avaliada. Se não houver glucagon ou resposta rápida, o atendimento de emergência é indispensável.
Não force a boca durante uma convulsão, não ofereça bebida e não aplique insulina. Em quadro grave, ligue para o SAMU 192 e informe que há suspeita de hipoglicemia.
Por que a glicose pode cair
As causas mais comuns são dose de insulina ou de sulfonilureia maior do que a necessidade, refeição atrasada ou menor, vômitos, atividade física além do planejado e consumo de álcool, especialmente sem alimentação. Mudanças de horário, viagem e erros de aplicação também contribuem.
Doença renal, perda de peso, envelhecimento e melhora recente da alimentação ou da atividade física podem reduzir a necessidade de medicamentos. Metformina usada isoladamente raramente provoca hipoglicemia, mas o risco muda quando há associação com outros tratamentos.
Hipoglicemia em pessoa sem diabetes é menos comum e não deve ser diagnosticada apenas por sintomas vagos. Episódios documentados precisam de avaliação para confirmar a glicose baixa, sua relação com os sintomas e a melhora após correção.
Como prevenir novas crises
Conheça os horários, as doses e o modo correto dos medicamentos; não faça ajustes por conta própria. Planeje refeições e atividade física, carregue uma fonte de carboidrato rápido e informe pessoas próximas sobre como ajudar.
Quem usa insulina pode precisar medir a glicose antes de dirigir, antes e após exercício e quando surgirem sintomas, de acordo com o plano de cuidado. Após uma crise, não dirija nem opere máquinas até estar plenamente recuperado e seguir a orientação recebida.
Registre horário, valor, sintomas, alimentação, exercício, álcool e doses. Episódios noturnos, repetidos, abaixo de 54 mg/dL ou que exigem ajuda precisam de revisão rápida das metas, dos medicamentos e, quando disponível, da tecnologia de monitorização.
Quando procurar atendimento
Converse com a equipe após a primeira crise relevante, se os episódios se repetirem, se ocorrerem durante a madrugada, ao dirigir ou sem sintomas de aviso. Também procure avaliação se houver queda de glicose sem uso de medicamentos para diabetes.
Convulsão, desmaio, incapacidade de engolir, confusão que não melhora, trauma durante a crise ou glicose que permanece baixa após correções repetidas exigem urgência. Uma crise grave precisa de avaliação mesmo que a pessoa acorde depois.
Hipoglicemia merece atenção e deve ser tratada
Dr. Drauzio conversa com especialistas em endocrinologia sobre causas, sintomas e cuidado da hipoglicemia. O vídeo é complementar e não substitui um plano individual.
Fonte: Portal Drauzio VarellaPerguntas frequentes
Dúvidas comuns sobre o tema, respondidas de forma simples e responsável.
Qual valor é considerado hipoglicemia?
Em pessoas com diabetes, abaixo de 70 mg/dL é um alerta. Abaixo de 54 mg/dL é uma hipoglicemia clinicamente mais importante. Evento grave é definido pela necessidade de ajuda, não apenas pelo número.
O que é a regra dos 15?
Quando a pessoa está consciente e engole com segurança, consome cerca de 15 g de carboidrato rápido, espera 15 minutos e mede novamente. Se continuar baixa, repete a correção.
Chocolate serve para corrigir?
Não é a melhor primeira opção, pois a gordura retarda a absorção. Prefira glicose ou outra fonte de carboidrato rápido prevista no plano de cuidado.
Posso dar suco a uma pessoa desmaiada?
Não. Há risco de aspiração. Coloque-a de lado quando possível, acione emergência e use glucagon apenas se disponível, prescrito e aplicado por alguém treinado.
Metformina causa hipoglicemia?
Usada sozinha, raramente. O risco aumenta com insulina, sulfonilureias, pouca alimentação, álcool, exercício ou doença renal, conforme a combinação de fatores.
Hipoglicemia pode ocorrer durante o sono?
Sim. Suor, pesadelos, sono agitado e dor de cabeça ao acordar podem ser pistas. Episódios noturnos precisam ser discutidos com a equipe.
Quem não tem diabetes pode ter hipoglicemia?
Pode, mas é menos comum. Sintomas isolados não confirmam. É importante documentar glicose baixa, relação com sintomas e melhora após correção e investigar a causa.
Depois da crise posso dirigir?
Não imediatamente. Espere recuperação completa, confirme que a glicose está segura e siga o plano orientado. Episódio ao volante ou recorrente exige revisão profissional.
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Referências bibliográficas e fontes consultadas
Este conteúdo foi elaborado com base nas publicações abaixo. Os links direcionam para as páginas, diretrizes ou documentos originais.
- Sociedade Brasileira de DiabetesDiretriz
Metas de controle glicêmico — classificação e prevenção da hipoglicemia, Diretriz SBD 2026
Acessar fonte original - Sociedade Brasileira de DiabetesDiretriz
Tratamento do DM2 no Sistema Único de Saúde — Diretriz SBD 2026
Acessar fonte original - Sociedade Brasileira de DiabetesDiretriz
Monitorização da glicemia capilar e da glicose intersticial — Diretriz SBD 2026
Acessar fonte original - Ministério da SaúdePágina
Hipoglicemia
Acessar fonte original - Sociedade Brasileira de DiabetesPágina
Hipoglicemia: como tratar e evitar?
Acessar fonte original
Referências verificadas em: 26/08/2026.


